TODAS ELAS, AS PALAVRAS

NÃO ESTOU ME PREPARANDO PARA QUANDO O CARNAVAL CHEGAR
           E também não sei sambar. Triste. E sem espírito natalino também e não é culpa do meu ateísmo de ocasião e sim o resultado de uma reflexão besta: acho meio deselegante me deixar levar pelos mitos de uma variante de uma religião tribal, nascida na idade do bronze em uma população de pastores do oriente médio.
           Nada contra. Em verdade, em verdade vos digo que até aprecio os evangelhos; em si, uma inovação para o disponível na época. Aprecio a beleza dos mitos eternos em sua roupagem judaico-cristã: a morte, a descida ao submundo, a ressurreição como promessa de renovação, a geração por obra de um deus, a mesa comum da eucaristia, essas coisas.
           E nada de novo de novo. Perséfone já desceu antes ao submundo e voltou vitoriosa com as sementes da primavera; a refeição comum sempre foi característica das religiões africanas trazidas para o Brasil.
O mito, que não deve ser confundido com fábula, que está no mito mas com ele não se confunde. Aliás, aprecio fábulas.
           É isso. Não estou preparado para quando o carnaval chegar. Estou mais atento a coisas miúdas, a pessoas por conhecer, a certos livros, certas músicas, certos momentos. E se não forem novas, as coisas miúdas, que pelo menos sejam outras.
           Não, não estou sentindo a presença da eternidade. Não ficaria bem e o decoro é tudo.
           E se não estou preparado, para o carnaval entre outras coisas, é porque descobri a resposta final (provisória); aquela, que se deve dar à pergunta do anjo da morte: não sei.
           Por hoje é só. Amanhã, descobriremos a pólvora e inventaremos a roda. É isso.

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